AS CONFISSÕES D'OL I M PO DES C O M PA S S A D O

Por Hades ou Zeus, eu peço perdão
Talvez por ter sido tolo até então.
Querendo a minha prosa o Luar ou não,
Seja bem-vindo, caro mortal, à este limbo de podridão.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pedido clichê ao Luar

Por tudo que há de mais sagrado na Terra e por tudo que há de mais terreno nos céus, dê ouvidos à sua curiosidade! Sei que você já foi estocado pela lâmina da curiosidade que despertam os deuses nos mortais, e, por Baco, Diana, Hefesto, Afrodite, Hades ou Zeus, dê uma chance ao menos para essa coceira de dúvida que te cerca!
Tua essência sabe que você já pestanejou imaginando como seriam as noites que inspiram minha poesia, e você sabe disso!
Tire essa máscara de bronze e concreto que prende à tua face uma imagem que não é tua! Sei, e tenho certeza disso, de que tua convicção é dissimulada! Teus gostos e tuas opiniões são inspirados pelos titãs sujos de pólvora e enxofre que te cercam em demasiada pressão!
Não deixe que o Meio te influencie como sugeriram os mestres naturalistas... Abra os olhos e enxergue o quão belo e proveitoso seria se desses uma chance ao amor sincero que borbulha de minhas entranhas quando cruzamos olhares incertos todas as manhãs!
Já se foi a primavera, logo chega o verão. Irá esperar o inverno bater à minha porta para enxergar o oceano de prazeres que aguarda saída do teu barco do porto da razão?
Seja honesto com o Olimpo, com a carne, com a retina e consigo! Seja honesto, caro mortal! Seja honesto e reconheça que, apesar de recusar minha poesia, você já foi alvo da curiosidade que atormenta os desonestos com a alma!
Quantas mais sílabas parnasianas terão de ser derramadas? Quantas mais gotas de sangue terão de ser descritas? Quantos mais deuses e heróis gregos terão de ser evocados? Quantas mais estações serão necessárias para que você dê uma chance à sua curiosidade?
Não sabes, e nem eu! Pois então, amargo Luar, derramarei mais mil sílabas parnasianas; descreverei mais centenas de gotas de sangue; atormentarei a paz de Héracles, Perseu, Dafne, Jacinto e quantos mais heróis forem necessários; clamarei pelas flores de cristal estilhaçado que germinam da primavera, pelas rachadas encostas que entornam o verão, pelos lábios avermelhados e pulsantes que marcam o inverno e pelas folhas esboçadas em tons de desespero e âmago confuso que se lançam ao chão do outono!
Já deixei de ser Narciso para atirar minha sina ao Olimpo e, se for preciso, farei de Apolo, Dionísio! Se for necessário, farei da platina que corre apressada pelas minhas veias o mais seco e rebuscado vinho da Ática!
Só não digo que buscarei o Luar e o trarei aos meus braços por ti, pois esta já é a minha vontade e meu dever.



~jft
heterônimo Apolo

Nenhum comentário:

Postar um comentário