AS CONFISSÕES D'OL I M PO DES C O M PA S S A D O

Por Hades ou Zeus, eu peço perdão
Talvez por ter sido tolo até então.
Querendo a minha prosa o Luar ou não,
Seja bem-vindo, caro mortal, à este limbo de podridão.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vontades e desvontades

Não sei mais o que dizer.
As rimas fogem. A sintaxe, esgotou.
Vontade de poder olhar nos olhos do Luar com face sincera, não mais dissimulada e oblíquoa como tanto gostamos de fazer. Vontade de descobrir se os flertes metálicos e efêmeros das manhãs de primavera são direcionados ao meu olhar ou ao cimento, quem sabe. Vontade de poder conversar, lábio posto à convicção... Conversar com vocábulos, entendes? Conversar com a alma, com a dicção... Silenciar os olhares e as incertezas, as covardias.
Vontade de entender o brilho dos olhos, a secura dos lábios, a escassez dos verbos. Vontade de entender tudo isso, e só.
Desvontade de continuar assim, sem eira nem beira. Desvontade de continuar mudo, falando pelos olhos trancados em vergonha e curiosidade. Desvontade de continuar não podendo abrir os braços para algo concreto, sensível. Desvontade de continuar vivendo sem saber viver. Desvontade de não ter a segurança correndo pelas veias de platina...
Desvontade de simplificar as coisas.

Vontade de complicar a situação.



~jft
Heterônimo Tavares

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