AS CONFISSÕES D'OL I M PO DES C O M PA S S A D O

Por Hades ou Zeus, eu peço perdão
Talvez por ter sido tolo até então.
Querendo a minha prosa o Luar ou não,
Seja bem-vindo, caro mortal, à este limbo de podridão.

domingo, 17 de outubro de 2010

Narrai, Apolo!


Em torno das forjas de Hefesto,
O amor entre as deusas há de estar.
Por entre as tramas górgonas que detesto,
Minha aljava de platina há de ofuscar.
Que ofusque então o ódio e a inveja,
Destes Titãs que Apolo destesta,
E que um dia o deus há de degolar.

Longe d'Olimpo, por entre os ramos da Ática,
Jaz o agora morto Narciso, jovem poeta.
Abençoado por Dionísio porém abandonado,
Jaz em forma de Luz, Sol que erradia dor em Creta.

Com a terra Lusitana, Afrodite há de firmar
A boa fé de uma deusa, efêmera,
Intransitiva como o verbo amar.

E onde estarão nossos pais?
Onde está Hades, Poseidon, Zeus?
Assistindo à trama devem estar,
Abrindo sorrisos ou, quem sabe, até a chorar.

E a amarga Helena, Menelau? Já achastes tua amada?
Nesta batalha, Tróia venceu.
Mas aquiete-se, espartano de visão embaçada,
Pois na próxima, quem te abençoará serei eu.

Hera, senhora da discórdia, rainha da opacidade,
Aconselha Apolo, dono da verdade.
Também estende as mãos para Medusa, amarga como jade,
Jovem bela, amaldiçoada pela Trindade.

Em busca do Luar minha sina há de permanecer,
Armada com meu arco lustrado por Atena e Diana.
Queira Hermes que a Lua não veja escurecer
Minha coita consolada por Hera, deusa que não difama.

Se tu és mortal, caro leitor,
Um conselho devo lhe dar:
Não se aproxime deste Olimpo, que exala dor,
Pois degolado tu podes acabar.


~jft
heterônimo Apolo

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