AS CONFISSÕES D'OL I M PO DES C O M PA S S A D O

Por Hades ou Zeus, eu peço perdão
Talvez por ter sido tolo até então.
Querendo a minha prosa o Luar ou não,
Seja bem-vindo, caro mortal, à este limbo de podridão.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Apolo e Dafne (outra sugestão)

Agora que me dei conta de que não havia dito nada sobre minha história com Dafne, jovem ninfa, filha do deus-rio Peneu.
Devo lhe dizer que, caso não saibas, todas as armas foram engendradas por mim. A lâmina da cimitarra espartana, a pena certeira da flecha ateniense, a envergadura do arco troiano e até a lança imponente empunhada pelos Centauros de Cronos, foram criados por mim. Prezo pelas minhas criações, e não consigo aturar a utilização do arco e da flecha por uma criança como o amargo Eros, amado e protegido por Afrodite.
Em certo dia afrontei o maldito cupido; disse ao menino de porcelana e traços gregos que é um insulto à minha essência como deus ter minhas criações satirizadas por uma criança que fere os corações mortais e imortais com o uso do arco e da flecha. Ameaçei acertá-lo com minha flecha certeira, caso o rapaz não deixasse de lado a aljava criada por mim.
E não é que a resposta da maldita criança veio em ação simples e direta? Desafiando minha certeza divina, o podre menino disparou em meu coração uma flecha com ponta de ouro, fazendo meus olhos se voltarem para a filha de Peneu. Quando avistei a ninfa contornada por pura beleza, me apaixonei. Cegamente, é claro. E, como se não bastasse, Eros disparou, no coração de Dafne, uma flecha com ponta de bronze, causando a imediata reação de nojo em Dafne ao me enxergar. O restultado? Por trama do cupido, acabei por me apaixonar por uma jovem ninfa sem eira nem beira, oblíqua e discimulada, de alma cigana. A jovem, sem ao menos saber o que ocorria com o deus-sol, passou a sentir o mais amargo e viscoso nojo por minha figura divina. Eu passei a amar Dafne sem razão nem explicação, e Dafne passou a sentir repulsão pela minha figura.
Cansada de minha perseguição inexorável, Dafne clamou a seu pai, Peneu, senhor dos rios que banham a Grécia em fortuna e fertilidade, para que o deus a transformasse em uma coroa de louros, desviando minha atenção e causando minha decepção ao tentar amá-la.
O resultado? Deves saber, caro mortal, que porto ao redor de meus cabelos uma coroa de louros, delicada como a virgem mas imponente como a desafiadora ninfa.
Se isto lhe sugere mais alguma relação com a vida real, nada tenho a dizer. Ao me assumir como Apolo, tive a consciência de ter a história de Dafne em minha sina.


~jft




~jft
heterônimo Apolo

Nenhum comentário:

Postar um comentário