AS CONFISSÕES D'OL I M PO DES C O M PA S S A D O

Por Hades ou Zeus, eu peço perdão
Talvez por ter sido tolo até então.
Querendo a minha prosa o Luar ou não,
Seja bem-vindo, caro mortal, à este limbo de podridão.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Asco

Não sei dizer se o que borbulha em mim é amor ou ódio... É tão difícil identificar! Maldito Zeus... Separou os dois sentimentos opostos por uma linha tênue... Quase se fundem!
É indecisão. Agora só sei que fui burro. Burro em todo o sentido mais burro da burrice. Fiz da minha vida um mar de poesia e prosa, com margens e encostas de sofrimento... Baseado em quê? Meus deuses, fiz tudo isso baseado em quê?!? Fui idiota, cego! Achei que o Luar ao menos havia se interessado por mim! Meus deuses, ele sentiu medo! Medo de incompreensão, de covardia de quem não tem coragem de sair da zona de conforto! O Luar jamais compreendeu meus dizeres, minhas rimas, minhas analogias, minhas hipérboles! O Luar não me compreende e não quer me compreender!
Os olhares que alimentaram meu desejo foram de quem quer entender algo mas não consegue! As palavras e as aceitações breves foram apenas válvulas de escape de quem não sabe o que fazer! Eu fui burro! Raiva de mim! Meus deuses, eu não sou idiota! Meu Olimpo, eu não sou tolo!
Agora não sei o que se passa! Será que ainda há curiosidade no âmago da Lua? Será que houve curiosidade? Meus deuses, houve algo? Pelos céus de concórdia, digam que sim! Digam que minha poesia não é vazia! Digam que eu não fiz do parnasianismo uma ferramenta inútil! Digam, por tudo que há de mais sagrado na Terra, que tudo isso não foi oco, vazio! E se foi? Meus deuses, e se todo o esforço foi um grande engano? E se toda a minha nova essência, que adotei somente para atrair os olhos da Lua, é vazia e fútil? Então, eu sou fútil!
Meus deuses, eu sou fútil?
Sou idiota?
Sou burro ou apenas fui?
E, se fui, quando voltarei a ser?
E então, quando deixarei de ser?

Não sei se houve amor ou medo... Não sei se houve entendimento ou incompreensão. Não sei se houve curiosidade ou burrice... Não sei nem o porquê de tudo isso ter acontecido! Não sei o que sinto ou o que deveria sentir! Meus deuses, quanta incerteza em um olímpico só!

Terei que cortar meus olhos ou meu papel?
Portarei em minha cabeça o ramo de louro ou meu orgulho?

Responda-me, covarde! Responda-me!
Por que não respondes, minha alma?

ALMA COVARDE! LUA COVARDE! DESTINO COVARDE! OLHAR COVARDE!



~jft
heterônimo Apolo

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