AS CONFISSÕES D'OL I M PO DES C O M PA S S A D O

Por Hades ou Zeus, eu peço perdão
Talvez por ter sido tolo até então.
Querendo a minha prosa o Luar ou não,
Seja bem-vindo, caro mortal, à este limbo de podridão.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Maldição


Que fique nítido, amargo mortal:
Caso for ignorado todo o meu amor,
Tu não mais terás certeza de um bom final
Ao lado de qualquer filha de Afrodite, agora dona da dor.

Se minha aljava de métrica a ti não alcançou,
Nenhum artifício mais conseguirá te alcançar.
Deixo claro que se minha flecha a ti não acertou,
Nenhuma lâmina mais te acertará.

Terás em tua sina uma única certeza, uma única nitidez:
Serás infeliz como titãs caso deixes de lado meu amar.
Sofrerás como merece alguém que me fez
Rimar e rimar, mas em sangue e decepção me afogar.

Se será um corte na virgem pele, ou quem sabe uma boa queimadura,
Quem decidirá será Hades, âmago da tortura.
Será o dono de tua sina o deus do submundo e da amargura,
E vingarás em nome de minha cítara toda essa estrofe de ternura.

Sonharás com meu olhar de esmeralda nas mais gélidas e escapísticas noites,
Tranquilidade durante o sono nunca mais voltarás a ter.
E então lhe aviso, amargo Luar, que firmo em compromisso os meus licores
Destilados por uma carne que terás que conter.

Afrodite também cuidará de ti, caso seja condenado à mim o desprezo.
Fica destinada à deusa a clichê maldição de Eros:
A maldita criança alada acertará a profusão de seu molejo,
Fazendo de todos os mortais ao teu redor secos e vazios meros.

Te afogarás em um breu atlântico sem fim,
Se decidires ignorar a poesia que exala de mim.
Poseidon há de te estraçalhar e perfumar com doce jasmim
Teu corpo oriental caso tu não queiras mais ter em mãos meu corpo de alecrim.

Por fim, terei eu o prazer de te acertar
Por entre teu bulbo cardíaco, se este não pulsar
Pela doce harmonia que deve haver entre nosso olhar,
A mais certeira e cravejada flecha em nome do rimar.

Pois então, doce Lua, um último apelo venho a fazer:
Ames o teu Apolo, olímpico que terá de deter
A felicidade em tua sina trancafiada...
Pois sozinho não hei de sofrer.


~jft
heterônimo Apolo

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