I
Tens os deuses olímpicos da razão te dizendo o que deves fazer: seguir em frente com teu amor por Helena.
Atenas e eu criamos o que os mortais apelidam de razão!
Se eu tivesse desistido do Luar há tempos, hoje não seria um deus. O Luar recusou meus versos há alguns dias atrás, mas eu jamais desistirei!
Meu caro grego, não desistas, nunca! Tens a bênção farpada de Atenas, que entorna teu escudo e forja tua lâmina. Tens a bênção de minha arte, que muito poderá te ajudar na conquista.
Não deixes de lado esta paixão, pois ela nutre tua vida! Se eu tivesse desistido do meu amor pela Lua, não mais estaria aqui! Pois, como mero apaixonados e tolos que somos, o que nos mantém em pé e o sofrimento! Então, que sofremos mais e mais!
Que venha sofrimento suficiente para engasgar nossas gargantas em um bulbo negro de decepção e amargura, que venha sofrimento possível de rachar nossas unhas em sangue e medo! Que venha todo esse sofrimento, e que o próprio sofrimento nos nutra no caminho contra a dor!
Somos movidos pela decepção, e somos movidos para superá-la.
Meu grego, não desista! Encontre em minha métrica a vontade final que lhe faltava para voltar à luta contra Tróia!
II
Te ajudo pois eu sei o que se passa com você. Eu sei, mais do que ninguém entre os céus e o mundo de Hades, o que é amar e não ser correspondido.
Mas meu querido grego, pense só: o teu caso é menos pior que o meu. Tu ao menos tens a certeza do que acontece, tens nítida a imagem que teu amor tem de ti. Eu não sei de nada, escrevo às escuras, sem saber o que o Luar pensa ou sem saber o que o Luar quer.
~jft
heterônimo Apolo
heterônimo Apolo
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